terça-feira, 18 de março de 2014



A vitória do vilão

 

Já faz um tempo que percebo que os vilões estão mais em alta que os mocinhos, pensei: - Isso pode ser uma coincidência e não uma tendência. Ledo engano. É sim uma tendência.

Conhecemos Dexter seriado produzido pelo canal Showtime, que conta a história de um assassino serial. Mata todos que, em seu julgamento merecem morrer. Como ele é um assassino frio e precisa matar, escolhe pessoas de caráter duvidoso e criminosos procurados pela justiça, sequestra-os e os mata das formas mais inusitadas. Desse modo ele sacia sua veia de maldade. Bem ele é o protagonista, tem uma família, um filho, uma irmã postiça que é louca por ele. Tirando o fato de que ele é um assassino, é uma excelente pessoa, fascinante e não mata inocentes. Não vou ser hipócrita parei de assistir quando percebi que torcia por ele. Ele é cativante, porém um assassino. Várias teses foram escritas elogiando Dexter e isso meio que me assusta. Aí vieram os outros, Breaking Bad, aclamada como uma das melhores séries já exibidas. O patriarca um paciente terminal começa a produzir e traficar drogas para sustentar a família e faz isso durante oito temporadas. Tudo bem que o enredo do seriado apela para os fatos críticos de até onde uma pessoa pode chegar ao se ver encurralada pela vida, mas os fins estão justificando os meios. Na cola de Dexter está Hannibal, isso mesmo o personagem do filme “O silêncio dos Inocentes” está rendendo bastante. A série mostra o desenrolar da idade madura do psicopata que, claro, sempre se sai bem após seus crimes de canibalismo. O nome Bates Motel, soa familiar? Normam Bates é o assassino do clássico “Psicose”, até ele ganhou uma série contando seus dias de rapazinho e seu relacionamento estranho com a mãe, acontecimentos anteriores à cena do chuveiro que ficou famosa na história do cinema. E aqui nas nossas bandas também amamos odiar vilões, Carminha de Avenida Brasil, Félix de Amor a Vida foram os mais recentes exemplos de protagonistas com comportamentos duvidosos, mas nesses casos com a redenção no final. O mais novo seriado da Globo, “A teia” protagonizado por Paulo Vilhena, conta a história de um bandido e sua família. A Record não fica pra trás com “Pecado Mortal” mostrando o dia-a-dia de uma família de mafiosos, apesar da trama bem desenvolvida por Carlos Lombardi e a produção ser impecável, a novela cai no mesmo arquétipo do bandido gente como a gente de “A teia”.

O vilão precisa existir para o contraponto com o mocinho, só que o mocinho estava ficando chato, bobo e a princesa uma mala sem alça. Então a solução foi misturar um pouco, até porque ninguém é 100% bom e mau na vida. A visão do mal que pode virar bem acaba sendo mais interessante do que a trajetória do bommocismo (sic). Mesmo antes de Félix de Amor a Vida se regenerar o público já o amava e se divertia com suas tiradas, só torcia para ele se redimir. Nesse caso Félix era um personagem muito bem construído, era quase real e isso o leva para a plataforma do dia a dia do povo que fala mal dos políticos, mas na primeira oportunidade que tem de burlar o sistema faz exatamente igual a eles, seja não devolvendo um troco a mais ou jogando lixo no chão.

“– Ah não tem nada demais o Governo já está rico...”

“– Ah o Gari vai limpar...”

Olha o mocinho distorcido nascendo aí. O mocinho motivado a fazer o errado pelas circunstâncias da vida ou no nosso caso também do exemplo que vem de cima.

Lá em Hollywood a coisa vai pelo mesmo caminho a história da Bela Adormecida vai ser contada agora centralizando o personagem da bruxa. “Malévola” estreia em abril de 2014 e tem Angelina Jolie no papel da bruxa com chifres. Essa nova releitura torna os contos de fadas mais sombrios e interessantes aos jovens de hoje, que com 13 anos em vez de terem medo do bicho papão embaixo da cama querem tirar selfies e ir para balada com ele.