segunda-feira, 28 de julho de 2014

Porque me decepcionei com o filme "Noé" (Noah, 2014)


O trailer me enganou muito! Deixando de lado os eufemismos religiosos, o filme chega a ser o contrário da história bíblica, mostra Noé como um louco compulsivo em matar a família em nome da vontade de Deus, ou seja o vilão da história.
Ok, ok, vamos aos fatos, você que não assistiu e quer assistir ainda dá tempo de parar de ler essa resenha.
O filme não é só totalmente o inverso da história bíblica, é um produto mal feito de Hollywood, o roteiro não é só controverso, é mais do que isso. É uma perda de tempo total. Liberdade criativa a parte, existem falhas no roteiro ridículas que poderíamos enumerar aqui. Russell Crowe deve ter ganhado milhões para não se poupar desse vexame.
O filme é extremamente cansativo, longo, maçante.
Deus é tido como um vilão que quer exterminar sua criação a todo custo. Ele não fala com Noé em nenhum momento. 
Noé tem sonhos e através deles que são muito confusos percebe que algo está errado, vai procurar Metusalém seu avô para perguntar o que está acontecendo, este por sua vez, a cara do mestre dos magos do desenho caverna do dragão, parece mais um xamã! Cheio de truques, ele dá a Noé um chá alucinógeno que o faz viajar. Ele chega então a conclusão que precisa construir a arca. A reação de Metusalém causa risos.
Adaptação livre, muitoooo livre.

Quando se há uma adaptação de uma história, nos preparamos para ver mudanças e até mesmo um outro ponto de vista do que conhecemos. Isso acontece em “Oz, Mágico e poderoso”. Uma versão, com uma explicação para fatos da história contada há anos e que teve várias adaptações e se tornou algo extremamente interessante, ao contrário de Noé, não levei muita fé no trailer mas acabei gostando bastante da história de “OZ”.

Voltando a Noé, todas as modificações na história para ela ficar mais atrativa foram um desastre.

De acordo com o filme os homens de pedra, que ajudam Noé na construção da arca eram anjos que desceram a terra para “ajudar” a humanidade com pena de Adão e Eva e ainda achando que algo de bom havia neles. Bem, os anjos que desceram foram os que quiseram ter relações com as mulheres, provar do ato carnal até então não experimentado por sua condição divina, as mulheres engravidaram e nasceram os Nefilins, gigantes, homens de maior estatura que o normal, não gigantes de pedra disformes com problemas graves de coluna, que até mesmo um deles tem uma cara de dar pena.

O inimigo de Noé entra na arca com a proteção do seu filho, que está danado da vida porque o pai não conseguiu uma esposa pra ele e ainda deixa a garota que ele encontra morrer, fazendo com que ele pense em matá-lo. O intruso fica lá o dilúvio todo! 

Como já disse antes, Metulasém é o mestre dos magos e faz com que Hermione fique fértil após tocá-la na barriga, logo em seguida a mesma sai correndo para fazer sexo com o filho de Noé antes que a chuva caia.

Hermione faz um teste já dentro da arca que comprova que elá está grávida. Como? Em um teste de gravidez feito em uma folha(!) vendido em qualquer farmácia da mata.

Os monstros de pedra que na verdade são os anjos caídos e arrependidos, são o elemento fantástico do filme, justamente são eles que prendem a atenção e em determinado momento os efeitos especiais ficam mal feitos e toscos.

No decorrer do dilúvio as pessoas clamam por ajuda do lado de fora e a família de Noé contesta a ordem dada por ele. Durante essa passagem as pessoas ficam com raiva de Noé. Para Deus as pessoas do lado de fora já estavam mortas, devido a intensa maldade em seus corações, impossíveis de serem salvas, mas o filme retrata Noé como um fanático, psicopata e insensível.

Finalmente depois de horas o filme entra em seus minutos finais, o dilúvio acaba e tudo fica como antes, todos sentiram raiva, tentaram matar uns aos outros, ou seja não tão diferentes dos que morreram afogados em nome da limpeza geral da terra.

A atuação dos atores também é fraca.

Não é um filme religioso Max. 
Tudo bem só conta uma história, mas a história é ruim!

“Noé” consegue a proeza de enganar cristãos e ateus. Os cristãos, vão assistir por achar que é um filme religioso. Os demais vão assistir achando que não é religioso e sim uma versão mais lógica do que aconteceu. Ambos são enganados.
O filme é um relato pretensioso de algo que poderia ser contado de outra forma, com outra narrativa, mas peca em quase tudo. 

Melhor ter assistido Frozen (Uma aventura congelante), ou ouvir as belas composições de Vinicius de Moraes falando de uma arca para as crianças muito mais interessante que a do Russell Crowe, pode apostar.

terça-feira, 18 de março de 2014



A vitória do vilão

 

Já faz um tempo que percebo que os vilões estão mais em alta que os mocinhos, pensei: - Isso pode ser uma coincidência e não uma tendência. Ledo engano. É sim uma tendência.

Conhecemos Dexter seriado produzido pelo canal Showtime, que conta a história de um assassino serial. Mata todos que, em seu julgamento merecem morrer. Como ele é um assassino frio e precisa matar, escolhe pessoas de caráter duvidoso e criminosos procurados pela justiça, sequestra-os e os mata das formas mais inusitadas. Desse modo ele sacia sua veia de maldade. Bem ele é o protagonista, tem uma família, um filho, uma irmã postiça que é louca por ele. Tirando o fato de que ele é um assassino, é uma excelente pessoa, fascinante e não mata inocentes. Não vou ser hipócrita parei de assistir quando percebi que torcia por ele. Ele é cativante, porém um assassino. Várias teses foram escritas elogiando Dexter e isso meio que me assusta. Aí vieram os outros, Breaking Bad, aclamada como uma das melhores séries já exibidas. O patriarca um paciente terminal começa a produzir e traficar drogas para sustentar a família e faz isso durante oito temporadas. Tudo bem que o enredo do seriado apela para os fatos críticos de até onde uma pessoa pode chegar ao se ver encurralada pela vida, mas os fins estão justificando os meios. Na cola de Dexter está Hannibal, isso mesmo o personagem do filme “O silêncio dos Inocentes” está rendendo bastante. A série mostra o desenrolar da idade madura do psicopata que, claro, sempre se sai bem após seus crimes de canibalismo. O nome Bates Motel, soa familiar? Normam Bates é o assassino do clássico “Psicose”, até ele ganhou uma série contando seus dias de rapazinho e seu relacionamento estranho com a mãe, acontecimentos anteriores à cena do chuveiro que ficou famosa na história do cinema. E aqui nas nossas bandas também amamos odiar vilões, Carminha de Avenida Brasil, Félix de Amor a Vida foram os mais recentes exemplos de protagonistas com comportamentos duvidosos, mas nesses casos com a redenção no final. O mais novo seriado da Globo, “A teia” protagonizado por Paulo Vilhena, conta a história de um bandido e sua família. A Record não fica pra trás com “Pecado Mortal” mostrando o dia-a-dia de uma família de mafiosos, apesar da trama bem desenvolvida por Carlos Lombardi e a produção ser impecável, a novela cai no mesmo arquétipo do bandido gente como a gente de “A teia”.

O vilão precisa existir para o contraponto com o mocinho, só que o mocinho estava ficando chato, bobo e a princesa uma mala sem alça. Então a solução foi misturar um pouco, até porque ninguém é 100% bom e mau na vida. A visão do mal que pode virar bem acaba sendo mais interessante do que a trajetória do bommocismo (sic). Mesmo antes de Félix de Amor a Vida se regenerar o público já o amava e se divertia com suas tiradas, só torcia para ele se redimir. Nesse caso Félix era um personagem muito bem construído, era quase real e isso o leva para a plataforma do dia a dia do povo que fala mal dos políticos, mas na primeira oportunidade que tem de burlar o sistema faz exatamente igual a eles, seja não devolvendo um troco a mais ou jogando lixo no chão.

“– Ah não tem nada demais o Governo já está rico...”

“– Ah o Gari vai limpar...”

Olha o mocinho distorcido nascendo aí. O mocinho motivado a fazer o errado pelas circunstâncias da vida ou no nosso caso também do exemplo que vem de cima.

Lá em Hollywood a coisa vai pelo mesmo caminho a história da Bela Adormecida vai ser contada agora centralizando o personagem da bruxa. “Malévola” estreia em abril de 2014 e tem Angelina Jolie no papel da bruxa com chifres. Essa nova releitura torna os contos de fadas mais sombrios e interessantes aos jovens de hoje, que com 13 anos em vez de terem medo do bicho papão embaixo da cama querem tirar selfies e ir para balada com ele.