O trailer me enganou muito!
Deixando de lado os eufemismos religiosos, o filme chega a ser o contrário da
história bíblica, mostra Noé como um louco compulsivo em matar a família em
nome da vontade de Deus, ou seja o vilão da história.
Ok, ok, vamos aos fatos, você que
não assistiu e quer assistir ainda dá tempo de parar de ler essa resenha.
O filme não é só totalmente o
inverso da história bíblica, é um produto mal feito de Hollywood, o roteiro não é só controverso, é mais do que isso. É uma perda de tempo total. Liberdade criativa
a parte, existem falhas no roteiro ridículas que poderíamos enumerar aqui.
Russell Crowe deve ter ganhado milhões para não se poupar desse vexame.
O filme é extremamente cansativo,
longo, maçante.
Deus é tido como um vilão que
quer exterminar sua criação a todo custo. Ele não fala com Noé em nenhum
momento.
Noé tem sonhos e através deles que são muito confusos percebe que algo está errado, vai procurar
Metusalém seu avô para perguntar o que está acontecendo, este por sua vez, a
cara do mestre dos magos do desenho caverna do dragão, parece mais um xamã! Cheio
de truques, ele dá a Noé um chá alucinógeno que o faz viajar. Ele chega então a
conclusão que precisa construir a arca. A reação de Metusalém causa risos.
Adaptação livre, muitoooo livre.
Quando se há uma adaptação de uma
história, nos preparamos para ver mudanças e até mesmo um outro ponto de vista
do que conhecemos. Isso acontece em “Oz, Mágico e poderoso”. Uma
versão, com uma explicação para fatos da história contada há anos e que teve
várias adaptações e se tornou algo extremamente interessante, ao contrário de
Noé, não levei muita fé no trailer mas acabei gostando bastante da história de “OZ”.
Voltando a Noé, todas as modificações na história
para ela ficar mais atrativa foram um desastre.
De acordo com o filme os homens de
pedra, que ajudam Noé na construção da arca eram anjos que desceram a terra
para “ajudar” a humanidade com pena de Adão e Eva e ainda achando que algo de
bom havia neles. Bem, os anjos que desceram foram os que quiseram ter relações
com as mulheres, provar do ato carnal até então não experimentado por sua
condição divina, as mulheres engravidaram e nasceram os Nefilins, gigantes,
homens de maior estatura que o normal, não gigantes de pedra disformes com problemas
graves de coluna, que até mesmo um deles tem uma cara de dar pena.
O inimigo de Noé entra na arca
com a proteção do seu filho, que está danado da vida porque o pai não conseguiu
uma esposa pra ele e ainda deixa a garota que ele encontra morrer, fazendo com
que ele pense em matá-lo. O intruso fica lá o dilúvio todo!
Como já disse antes, Metulasém é
o mestre dos magos e faz com que Hermione
fique fértil após tocá-la na barriga, logo em seguida a mesma sai correndo para
fazer sexo com o filho de Noé antes que a chuva caia.
Hermione
faz um teste já dentro da arca que comprova que elá está grávida. Como? Em um
teste de gravidez feito em uma folha(!) vendido em qualquer farmácia da mata.
Os monstros de pedra que na
verdade são os anjos caídos e arrependidos, são o elemento fantástico do filme, justamente
são eles que prendem a atenção e em determinado momento os efeitos especiais
ficam mal feitos e toscos.
No decorrer do dilúvio as pessoas
clamam por ajuda do lado de fora e a família de Noé contesta a ordem dada por
ele. Durante essa passagem as pessoas ficam com raiva de Noé. Para Deus as
pessoas do lado de fora já estavam mortas, devido a intensa maldade em
seus corações, impossíveis de serem salvas, mas o filme retrata Noé como um fanático, psicopata e insensível.
Finalmente depois de horas o
filme entra em seus minutos finais, o dilúvio acaba e tudo fica como antes,
todos sentiram raiva, tentaram matar uns aos outros, ou seja não tão diferentes
dos que morreram afogados em nome da limpeza geral da terra.
A atuação dos atores também é
fraca.
Não é um filme religioso Max.
Tudo
bem só conta uma história, mas a história é ruim!
“Noé” consegue a proeza de
enganar cristãos e ateus. Os cristãos, vão assistir por achar que é um filme religioso.
Os demais vão assistir achando que não é religioso e sim uma versão mais lógica
do que aconteceu. Ambos são enganados.
O filme é um relato pretensioso
de algo que poderia ser contado de outra forma, com outra narrativa, mas peca
em quase tudo.
Melhor ter assistido Frozen (Uma
aventura congelante), ou ouvir as belas composições de Vinicius de Moraes falando de uma arca para as crianças muito mais interessante que a do Russell Crowe, pode apostar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário